A Batalha Naval do Riachuelo pouca semelhança teve com um encontro ortodoxo de esquadras no cenário amplo do oceano, com unidades que poderiam manobrar à vontade para assumir melhor posicionamento, empregando artilharia até as maiores distâncias permitidas pela tecnologia da época. Tratou-se realmente de um entrevero entre navios, operando em área reduzidíssima, plena de bancos de areia nos quais os contendores, especialmente os que menos conheciam o local, poderiam encalhar, com troca de tiros à queima-roupa e abordagens facilitadas pela proximidade dos combatentes. Tudo se passando junto à margem eriçada de canhões manejados por um dos adversários. Os cascos das canhoneiras brasileiras eram tão frágeis como os das unidades inimigas. O armamento, semelhante. Se a luta fosse travada: ao largo, a força brasileira, mais bem operada, mais marinheira, teria vantagem. Mas, enclausurada no canal estreito do Rio Paraná, estava em condições de igualdade com o inimigo. Ou talvez inferior, porque tinha contra si os 22 canhões instalados na margem próxima e mais seis “chatas” rebocadas, unidades muito bem concebidas, resvés com a superfície, alvos difíceis de acertar, armadas com um canhão calibre 68 atirando na linha d’água dos navios brasileiros.

Ao se aproximarem os paraguaios, a esquadra de Barroso estava fundeada, tendo que manobrar para, aproando rio acima, enfrentá-los. O autor destas linhas esteve na área onde se desenvolveu a batalha. O canal então navegável (1940) passava junto da margem direita, tendo o encontro se dado no canal antigo, perto da margem esquerda (onde estavam os canhões paraguaios) e pôde verificar visualmente como eram mínimas as distâncias. A inversão de rumo dos navios brasileiros demandou evolução em espaço ínfimo, recebendo ao mesmo tempo descargas das baterias inimigas, flutuantes e de terra. O perigoso de encalhar mostrou-se logo, com perda da Jequitinhonha. A Belmonte, bastante avariada, teve a sorte de abicar na barranca a jusante da área ocupada pelos paraguaios, escapando por isto. A Parnaíba foi cercada e abordada por três atacantes.

A reação foi fruto da determinação com que se engajaram as canhoneiras, a intensidade do fogo e dos acertos de suas artilharias, que iam avariando as unidades inimigas; do socorro efetivo e do êxito da libertação da Parnaíba, que resistiu com o sacrifício, dentre outros, de Marcílio Dias, Greenhalgh e Pedro Afonso; e, por fim, da iniciativa de Barroso, aproveitando a capacidade que tinha a Amazonas de girar sobre si mesma, graças à propulsão de rodas (uma das quais seria imobilizada) e mais a potência de sua máquina, para abalroar, destruindo-os, quatro navios paraguaios.

No dia 11 de junho de 1865, a Marinha Imperial Brasileira vencia a Batalha Naval do Riachuelo – mais importante conflito da armada nacional durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870). A vitória foi decisiva para assegurar ao Brasil e aos aliados (Uruguai e Argentina) a supremacia na bacia do Rio da Prata, caminho estratégico para o envio de tropas e suprimentos na luta contra os invasores da província de Corrientes, na Argentina.

A Batalha Naval do Riachuelo é considerada por militares e historiadores como uma das mais importantes da história do Brasil, não só pelo tamanho da tropa envolvida, mas também pela atuação marcante do almirante Francisco Manoel Barroso, comandante da esquadra brasileira que, mesmo tendo perdido a primeira fase do embate, conseguiu reverter à adversidade e vencer a batalha.

Viva a Marinha!!!

Agraciados e promovidos durante a cerimônia alusiva à Batalha Naval do Riachuelo.Captura de Tela 2018-06-10 às 22.59.13

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