mari“Honra é a força que nos impele a prestigiar nossa personalidade. É o sentimento avançado do nosso patrimônio moral, um misto de brio e de valor. Ela exige a posse da perfeita compreensão do que é justo, nobre e respeitável, para elevação da nossa dignidade; a bravura para desafrontar perigos de toda ordem, na defesa da verdade, do direito e da justiça.”

Joaquim Marques Lisboa – Marquês de Tamandaré – Patrono da Marinha do Brasil.

                       Em 4 de setembro de 1925 foi instituído que na data de nascimento do Almirante Tamandaré, 13 de dezembro, seria comemorado o Dia do Marinheiro, rememorando a vida daquele grande homem do mar como forma de homenagear todos os marinheiros que, não só com feitos de bravura, mas com o rotineiro trabalho diário, engrandecem a nossa Marinha.

Mas porque escolher este homem, dentre tantos outros marinheiros que serviram a Marinha e defenderam a Nação com desprendimento e bravura? O Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, foi indiscutivelmente figura destacada no cenário militar do Brasil durante o Império.

Ingressou na Marinha de Guerra, no alvorecer da Independência que ajudou a firmar e consolidar. Além das Guerras da Independência, onde com somente 15 anos esteve embarcado na Fragata Niterói, participando da épica perseguição à frota portuguesa que deixava a Bahia, comandou navios de guerra da Marinha Imperial no Rio da Prata durante a Guerra Cisplatina, que se estendeu de 1825 a 1828. Durante este conflito deu claras demonstrações de seu espírito arrojado e capacidade de liderança, tanto na fuga do cárcere argentino, liderando a tomada do navio que levavam oficiais e marinheiros brasileiros capturados em Carmem de Patagones, quanto no comando da pequena Escuna Bela Maria, no memorável combate travado com o Navio argentino Ocho de Febrero.

No período regencial cumpriu várias comissões no mar, tomando parte ativa no combate a duas insurreições, a “Setembrizada” em 1831, e a “Abrilada” em 1832, em Pernambuco. Mais adiante participou das ações da Marinha no combate a Cabanagem, no Pará, em 1835. Destacou-se no comando do contingente da Marinha que, reunido a Caxias que liderava as forças em terra, lutou e extinguiu a Balaiada no Maranhão, entre 1839 e 1841. Nesta revolta, o então Capitão-Tenente Joaquim Marques Lisboa, nomeado Comandante da Força Naval em operação contra os insurretos, após estudar a região em que teria que combater armou pequenas embarcações, que enviadas para diversos pontos dos principais rios maranhenses, combateriam os rebeldes isoladamente ou apoiando forças em terra.

Já no Segundo Reinado, como Capitão de Mar e Guerra Graduado, foi o primeiro comandante da Fragata a vapor D. Afonso, primeiro navio de guerra de grande porte incorporado pela Marinha brasileira. Na viagem de experiência de máquinas no porto de Liverpool, Inglaterra, salvou, com grande risco de sua vida, de sua gente e de seu navio a tripulação do Ocean Monarch. Quando regressou ao Rio de Janeiro conseguiu rebocar e trazer para dentro da Baía de Guanabara a Nau da Marinha portuguesa Vasco da Gama que se achava a deriva em meio a uma tempestade. Ainda no comando da D. Afonso auxiliou na defesa da Cidade de Recife, quando esta foi atacada por insurretos na Revolta Praieira, em 1849.

Como Oficial General comandou a força naval brasileira no Rio da Prata entre os anos de 1864 a 1866. No conflito em solo uruguaio conhecido como Campanha Oriental, exerceu o Comando Geral das Tropas de Marinha na Tomada de Paissandu. Comandou a Esquadra brasileira na primeira fase da guerra contra o Paraguai quando, para além das vitórias em combate, organizou toda a linha logística necessária à manutenção dos principais navios da Armada Imperial a tão grande distância de sua sede. Veio a falecer na então Capital Federal em 20 de março de 1897.

Embora profunda, a citação com a qual foi iniciado este texto foi uma das poucas mensagens que o Almirante Tamandaré deixou registradas, pois não era um homem de palavras, de discursos, mas de ações que externavam para seus pares sua personalidade.

O apreço que obteve de seus pares, subordinados e superiores durante toda a sua carreira naval foi conquistado pelos seus atos que traduziam a retidão de seu caráter, seu elevado senso de justiça e sua devoção à Marinha.

Como disse Tácito:

“Os chefes são líderes mais através do exemplo do que através do poder”.

Bibliografia:

PORTO-ALEGRE, Achylles. Homens Illustres do Rio Grande do Sul. Livraria Selbach, Porto Alegre, 1917.

CALMON, Pedro. A Vida de D. Pedro II, o Rei Filósofo. Rio de Janeiro: Bibliex, 1975.

BOITEUX, Henrique. A República Catharinense – Notas para a sua história. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1927.
 

Pesquisador: mar

2ºTen. (AA) Márcio Luiz Neto

 

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