Generalato é realidade para mulheres da Marinha do Brasil.
Nas Forças Armadas do Brasil, duas mulheres alcançaram até hoje o nível de oficial-general e ambas são da Marinha, pioneira em admitir mulheres em seus quadros.

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Dalva Maria Carvalho Mendes Contra-Almirante da Marinha do Brasil

A Contra-Almirante da Marinha do Brasil Dalva Maria Carvalho Mendes foi a primeira mulher das Forças Armadas a alcançar, em 2012, um posto no nível mais alto da hierarquia militar brasileira. (Foto: Marinha do Brasil)
O ano de 2012 foi marcante para a história militar brasileira, em especial para a Contra-Almirante da Marinha do Brasil (MB) Dalva Maria Carvalho Mendes. Após 31 anos de carreira na MB, foi naquele ano que ela conquistou as duas estrelas que carrega hoje, tornando-se a primeira mulher a chegar ao nível de oficial-general dentro das Forças Armadas do Brasil.

Demorou mais seis anos para que outra mulher alcançasse o mesmo patamar na MB. Em novembro de 2018, a engenheira naval e até então capitão de mar e guerra se tornou Contra-Almirante Luciana Mascarenhas da Costa Marroni. As duas continuam sendo as únicas militares do sexo feminino no generalato brasileiro. “Foi uma surpresa para mim, mas com a certeza de que minha promoção foi pautada nos parâmetros de meritocracia, utilizados na avaliação de todos os oficiais da Marinha do Brasil”, lembrou a C Alte Dalva.

O posto de contra-almirante é o primeiro dos quatro postos dentro da hierarquia do nível de oficial-general na MB. Para chegar até aí, é preciso ser incluído em uma lista de escolha elaborada por autoridades das Forças Armadas, com base em requisitos bem definidos, e selecionado pelo presidente da República. “Eu tinha a consciência de que preenchia todos os requisitos e, por esta razão, tinha o desejo e a expectativa de ser promovida”, contou a C Alte Luciana.

Longa caminhada

A C Alte Dalva ingressou na MB em 1981, na primeira turma do Corpo Auxiliar Feminino de Oficiais. Desse grupo, formado por 203 alunas, ela é a única que ainda está na ativa. Com formação em medicina, já foi assistente de cirurgias e diretora de instituições de saúde da MB. Hoje, a C Alte Dalva é assessora do Comando da Marinha e da Diretoria de Saúde da Marinha em assuntos relacionados ao aprimoramento da saúde dos militares.

Também faz parte do seu dia a dia a participação em palestras, principalmente para plateias de militares do sexo feminino. “Nessas oportunidades, procuro focar na importância da mulher nas forças armadas”, disse a C Alte Dalva. “Sempre existirão diferenças entre as pessoas, e isso faz crescer. Mas costumo destacar que os militares, sejam homens ou mulheres, estão prontos para cumprir qualquer missão”, ressaltou.

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Luciana Mascarenhas da Costa – Contra-Almirante da Marinha do Brasil

A Contra-Almirante da MB Luciana Mascarenhas da Costa Marroni chegou a esse posto em 2018, sendo a segunda mulher no generalato das Forças Armadas do Brasil. (Foto: Marinha do Brasil)
Já a C Alte Luciana deu início à sua carreira em 1989. Hoje, está à frente da Diretoria de Comunicações e Tecnologia da Informação da MB. Como comandante dessa divisão, ela administra diferentes processos, como definição das doutrinas de comunicação, gerenciamento de medidas de segurança digital e disponibilização de serviços e de infraestrutura de rede. “A minha rotina é bem intensa, especialmente porque a tecnologia está em constante evolução e temos a missão de adequar nossos sistemas às novidades, de forma a mantê-los sempre atualizados”, destacou a C Alte Luciana.

Mais um passo

Existem cerca de 31.500 mulheres nas Forças Armadas do Brasil, segundo dados do final de 2018 publicados pela revista Época. Apesar de esse número corresponder a 9 por cento de todo o contingente militar brasileiro, elas chegam a ser maioria em algumas áreas. No setor médico da MB, como o ocupado pela C Alte Dalva, por exemplo, as mulheres correspondem a aproximadamente 54 por cento do quadro de profissionais. Já entre os cirurgiões-dentistas, o percentual feminino é ainda maior, de 65 por cento.

Mas, até 2017, a atuação de militares femininas estava restrita às áreas de saúde e de apoio. A situação mudou com a aprovação, naquele ano, da lei Nº 13.541. Foi a partir daí que, em 2019, a MB admitiu a primeira turma com 12 mulheres em sua Escola Naval, abrindo caminho para que elas possam vir a fazer parte do Corpo da Armada e do Corpo de Fuzileiros Navais.

A novidade significa que as militares poderão seguir carreira também como oficiais operativas, participando das atividades fins da força naval, como servir a bordo de navios e ir a combate junto com um pelotão em operações em terra. Com isso, será possível a ascensão até o título de almirante de esquadra, o maior na hierarquia da MB em tempo de paz.

Com o apoio do Comando da Marinha, a C Alte Dalva deu mais um passo sem precedentes. Em 2017, a oficial participou de diversas reuniões no Congresso Nacional, a fim de falar da importância da ampliação da participação feminina nas Forças Armadas.

O resultado foi a aprovação da lei, em dezembro de 2017. “Tem algo que eu sempre repito, que é ‘persiga seus sonhos’. Comecei com um sonho que nem podia sonhar, mas que, de repente, se tornou realidade”, disse a C Alte Dalva sobre a sua própria trajetória, que vem inspirando tantas outras mulheres.

Texto: Andréia Barreto

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