1As seguradoras brasileiras estão aumentando o valor do prêmio para seguro de automóveis em áreas de risco e, inclusive, deixando de segurar veículos em regiões específicas, devido ao crescimento do índice de roubo desses bens. No acumulado janeiro a agosto deste ano, foram roubados no estado do Rio de Janeiro 37.100 veículos, alta de 43,9% em relação a igual período do ano passado. Somente em agosto, o número de veículos roubados subiu 51,7%, totalizando 4.613 veículos, contra 3.041 em agosto de 2016. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).

O diretor executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Julio Rosa, disse hoje (4) que se trata de um processo técnico. “Neste momento e nessa circunstância, o mercado deve  estabelecer critérios de aumento (da apólice). Amanhã, se o sinistro de roubo cair, pode-se ter uma redução nos preços. Essa elasticidade é em cima dos resultados do momento”, explicou Rosa.

Ele estima que os preços das apólices podem subir entre 15% e 22% até o final do ano em áreas consideradas de risco no Rio de Janeiro. Esclareceu que existe uma sazonalidade, isto é, os preços não são fixos. Eles dependem das áreas de risco. Isso significa que áreas com mais riscos poderão ter preços mais elevados. Áreas com menos riscos, preços menos elevados.

Na análise de seguro de automóveis, o risco envolve a área de circulação, isto é, o local onde o veículo dorme, onde ele acorda no estacionamento residencial e aonde ele trafega.

Volatilidade

Julio Rosa confirmou que em alguns bairros do Rio de Janeiro, como Manguinhos, Pavuna e Rocha Miranda, por exemplo, as seguradoras não estão aceitando fazer seguro de automóveis. “Há dificuldade de aceitar. Mas nada é definitivo. Amanhã pode mudar tudo. Automóvel é muito volátil”, assegurou. Essa é uma situação de momento, disse. “A princípio, esses bairros estão sub judice (em julgamento). Se o resultado melhorar, pode voltar a fazer seguro. Nada é definitivo em automóveis”.

O seguro funciona da seguinte forma: em um momento dentro da normalidade, a seguradora aceita fazer o seguro; quando existe algum risco, ela aumenta o preço; se mesmo assim, o valor não condiz com um bom resultado, a empresa começa a ser mais exigente na aceitação do risco. A negativa tácita e obrigatória é muito perigosa, porque tudo é muito relativo, indicou o diretor executivo da FenSeg. “Depende das seguradoras. Mas existe essa possibilidade”.

De acordo com pesquisa feita pela FenSeg, os roubos de veículos têm três propósitos. O primeiro é a venda de peças, porque as montadoras estão com deficiência em dispor peças originais para o mercado. “Faltam peças originais, aumenta o roubo”, disse Julio Rosa.

O segundo objetivo é a clonagem de automóveis. O roubo visa tirar do veículo a placa, chassis e documentação de legalização e colocar em outro carro. “Está aumentando muito a clonagem porque vende com preços mais baratos e o consumidor compra. Tem carro clonado até em anúncio de jornais”, explicou.

No terceiro momento, o ladrão rouba para cometer vários outros delitos, como assaltos, sequestros, e depois abandona o automóvel, que é recuperado pela polícia. “Normalmente, os carros que são recuperados pela polícia já passaram por quatro a cinco delitos”, destacou.

Fonte: EBC Agência Brasil

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