dpeaMorreu na manhã de ontem (14), em São Paulo, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que já se encontrava internado desde o dia 28 de novembro com broncopneumonia, no Hospital Santa Catarina. Ele estava na unidade de terapia intensiva (UTI) devido a problemas renais.

Dom Paulo nasceu no dia 14 de setembro de 1921, em Forquilinha (SC) e, aos 18 anos, ingressou na ordem franciscana. Em 1945, foi ordenado presbítero na cidade de Petrópolis (RJ). Morou em Paris, onde estudou patrística (filosofia cristã) e línguas clássicas. Em 1966, foi nomeado bispo auxiliar, na Zona Norte da cidade de São Paulo. Quatro anos depois, assumiu o comando da Arquidiocese Paulista.

Com formação em filosofia e teologia, Arns escreveu 56 livros – entre eles o “Brasil Nunca Mais”, que reuniu documentos oficiais que comprovaram que os militares torturaram presos políticos durante os tempos de repressão – e recebeu mais de uma centena de títulos nacionais e internacionais. Outro fato marcante em sua trajetória foi a criação de mais de 40 paróquias e a priorização do trabalho nas comunidades eclesiais de base, na periferia da capital.

Dom Paulo foi muito além da reigião destacando-se durante a ditadura militar na defesa dos direitos humanos. Usando peso do cargo de cardeal, Arns denunciou e lutou contra a tortura, a morte e o desaparecimento de vários presos políticos. Em 1975, Arns desafiou os militares quando comandou o ato multireligioso em memória do jornalista Vladimir Herzog, que apareceu morto em uma dependência militar.

Em 1980, ajudou a criar a Pastoral da Criança, com o apoio da irmã dele, Zilda Arns. Depois de participar da eleição de dois papas, em 1998, Dom Paulo deixou o cargo de arcebispo de São Paulo, se mudou para uma ala reservada em um convento de irmãs franciscanas e passou a dar assistência aos idosos.

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