A morte do recruta da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Paulo Aparecido Santos de Lima, após um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), no dia 12 de novembro foi destaque nos noticiário da semana. Paulo  passou mal após treinamento, quando teve queimaduras nas mãos e nas nádegas, além de uma grave insolação. Após o ocorrido, foi hospitalizado no Hospital Central da Polícia Militar, mas morreu após ficar internado por 12 dias. A família acredita que Paulo foi vítima de trote.

A Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ) vai apurar as circunstâncias que levaram ao fato. Em nota, o presidente da comissão, deputado Iranildo Campos (PSD) criticou a falta de assistência médica na unidade e a aplicação de exercícios físicos não previstos na programação original. Esse é o primeiro caso envolvendo a Polícia Militar de um estado a ser apurado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. O deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) afirmou em entrevista ao G1 na quinta-feira (21) no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), na Zona Oeste do Rio, que o local não possui médico. “A enfermaria do CFAP não tem estrutura suficiente. O local tem poucas macas, um quadro pequeno de enfermeira e não há médicos. Isso é inadmissível”, declarou Freixo.

É importante ressaltar que existem dois erros gravíssimos envolvidos nesse incidente: condições precárias na enfermaria do CFAP e treinamento inadequado dos policiais. Considero inadmissível que um centro de treinamento militar não tenha uma enfermaria apropriada para atender a demanda local. Se houver mais algum acidente e a pessoa precisar de cuidados no momento, o que será feito? Vão deixar mais um militar chegar morto no hospital por falta de cuidados médicos adequados?

Em relação ao treinamento dado para os militares, vejo um comportamento totalmente errado dos oficiais responsáveis. Respeitar os limites físicos não é demérito para ninguém, muito pelo contrário, reconhecer que o corpo não aguenta mais aquele esforço físico é um dever do responsável pelo treinamento. Houve um excesso sim e eles devem responder por desrespeitar o subordinado em conformidade com o código disciplinar inerente à sua corporação. Quanto ao fato dele estar morto acho cabível ouvir da pericia antes de afirmar qualquer fato, até porque isso não é frequente na corporação.

 

Texto escrito por: Natália Machado

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