A operação urbana Porto Maravilha anunciou uma grande modificação no sistema viário da Região Portuária: a substituição do Elevado da Perimetral. As obras relacionadas têm surtido grande repercussão na mídia, no trânsito e, principalmente, na configuração estética da cidade do Rio deJaneiro. Muitas notícias estão sendo veiculadas em relação aos trechos interditados, aos testes operacionais das rotas alternativas pelos bairros adjacentes e até mesmo, a orientação dos agentes de trânsito sobre como pegar esses caminhos.

Segundo a Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro, a perimetral será fechada no próximo sábado (2 de novembro) como preparação para sua demolição marcada para o dia 17 do mês. Para quem tinha a via como caminho prioritário a solução é pegar as vias alternativas, utilizar transportes públicos e pedir carona.

Confesso que fiquei um pouco preocupada com o congestionamento futuro das vias alternativas e mais ainda com a possibilidade de carona. Existem outras questões envolvidas com a carona que criam uma certa polêmica em torno da afirmativa ingênua de Eduardo Paes. O carioca não tem hábito em pegar carona com amigos e/ou familiares, muito menos estranhos. Isso não está engendrado em nossa cultura. O medo e violência pairam pela mente da população a ponto de seguirem para o mesmo destino em carros distintos. Se fôssemos uma sociedade avançada isso não ocorreria.Pegar carona é sustentável, as pessoas vão interagindo durante o trajeto, gasta-se menos combustível, facilita o trânsito e ainda economiza-se tempo e dinheiro.

A obra possui uma fundamentação contundente. A Pesquisa  Vida  e  Morte  das  Autovias Urbanas do Institute for Transportation & Development Policy (ITDP) apurou que 17 cidades dos Estados Unidos, da Europa e de países asiáticos já substituíram seus grandes viadutos. Abrir caminhos para o resgate do patrimônio histórico e arqueológico da área, dar qualidade de vida dos moradores, respeitar a mobilidade urbana sob a ótica da sustentabilidade são alguns dos objetivos. Um dos fatores que motivou a obra foi o alto custo para manter estruturas gigantescas e projetos de revitalização para recuperar áreas degradadas pela instalação desses viadutos. Os mesmos contribuem para a degradação da área e esvaziamento da região. Além disso, extinguem a imagem de passagem pela zona portuária, e ajudam na melhora do trânsito.

Apesar de ter sido feita toda uma pesquisa para detalhamento do projeto esqueceram que o Brasil é um país em desenvolvimento cuja corrupção é uma característica gritante entre os brasileiros, consequentemente, o superfaturamento das obras é astronômico. Nos EUA e na Europa, locais onde as pesquisas foram realizadas, a ótica de hábitos sustentáveis já está entranhada na realidade do povo,além dos projetos fluírem conforme a agenda programada. No Brasil a sociedade ainda está engatinhando em relação a vários fatores, principalmente educacional e sustentável, consequentemente não dá para comparar com pesquisas internacionais. Só espero que o jeitinho brasileiro não impere mais uma vez e os ideais políticos fiquem à frente destes grandes projetos de revitalização do Porto do Rio.

Texto escrito por: Natália Machado

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