Game expande os fundamentos de jogos de plataforma em vários sentidos

Mas os anos se passaram, e muita gente disse que o gênero morreu (assim como disseram sobre JRPGs). Graças ao Kickstarter, entretanto, muitos fãs estão recebendo o que desejavam mas não tinham como pedir, e Yooka-Laylee é um dos produtos dessa tendência.

Desenvolvido pelo estúdio Playtonic Games e distribuído pelo Team17, Yooka-Laylee é uma clara homenagem aos jogos de plataforma dessa era passada. Para ser mais específico, Banjo-Kazooie. Alguns dos profissionais presentes no clássico do Nintendo 64 estão aqui, e assim como Banjo-Kazooie remete a um banjo e a um kazoo, que são instrumentos musicais, Yooka-Laylee remete ao ukulele. Não tem muita frescura: é uma carta de amor ao design e ao clima do gênero, e é muito difícil explicar o apelo para quem não sente nostalgia.

Não se engane com as fotos de divulgação do Kickstarter: o combate não é frenético assim

Não se engane com as fotos de divulgação do Kickstarter: o combate não é frenético assim

Amor à primeira vista?

Lembra dos jogos antigos 3D que apareciam em revistas de videogame como se fossem a coisa mais descolada do mundo? E lembra que, mesmo sem ver ao vivo, você imaginava os jogos como algo grandioso, bonito e colorido? Em termos de apresentação, Yooka-Laylee é basicamente isso: ele não é tímido quando se trata de mostrar suas cores vibrantes. No primeiro mapa, a grama é extremamente verde, o céu é brilhante e as outras cores também são contrastantes. As construções e pontos mais visuais dos mapas são facilmente identificáveis, então é fácil saber onde você está mesmo só olhando ao seu redor.

O design visual das personagens não foge desse espírito: não são só animais falantes, mas nuvens, rodas, carrinhos, canhões e várias outros objetos que ganharam um par de olhos e uma personalidade.

A trilha sonora também não tenta se modernizar demais, e é eficaz. Ao invés de canções épicas, você tem apenas um monte de musiquinhas simples que você começa a cantarolar enquanto joga.

De fato, Yooka-Laylee causou uma boa primeira impressão. Infelizmente, ela não durou tanto.
Os problemas surgem na interface: não é só o fato de ser nostálgica e parecer um jogo de Nintendo 64; isso seria ótimo — o problema é que ela é lenta, difícil de navegar e, ao menos no PS4, muito frágil. Eu já tive que reiniciar o jogo múltiplas vezes quando os menus bugaram. Felizmente, nunca perdi muito progresso, mas é estranho ter um console com 8GB de RAM tendo problemas para renderizar o menu de um jogo de plataforma.
Outro grande problema reside nas personagens mencionadas acima: como eu disse, todo mundo tem personalidade, mas isso acaba virando uma verdadeira pedra no caminho. Enquanto jogos como Spyro e Mario tinham um elenco pequeno, carismático e móvel, que sempre te acompanhava no progresso da história, Yooka-Laylee oferece uma tonelada de personagens que só servem para te dar missões que te ajudam a avançar a aventura. E como ninguém tem uma dublagem “real”, tudo que você obtém ao conversar com qualquer personagem é um trocadilho e uma página de um livro. Com o tempo, você começa a esquecer de nomes, mesmo que Laylee seja uma das coisas mais fofas que eu já vi na vida.

As Playcoins são usadas para destravar minigames

Tamanho é documento

 Yooka-Laylee tem uma fundação sólida. Apesar da câmera atrapalhar às vezes, o jogo é mais focado na exploração do que em ações rápidas, pelo menos no começo, então dá para se acostumar. O seu progresso se resume a aprender movimentos, explorar cada um dos 5 mundos e coletar páginas de um livro mágico. É simples.

O problema é que esse simples é inflado para ficar muito maior. Diferente de Spyro, Crash e Mario, estamos falando de 5 mundos gigantes, ao invés de vários mundinhos pequenos. Essa é uma das grandes falhas do jogo: cada um desses mundos é tão aberto que em muitos momentos é fácil se sentir perdido. A natureza tranquila e aventureira do jogo até complica essa condição, já que você nunca se sente “preso”, querendo jogar melhor; apenas quer progredir, perambulando por mapas enormes em busca de NPCs novos.

Mesmo sendo um sucessor de Banjo-Kazooie, Yooka-Laylee não segue todos os passos dos clássicos daquela era. Apenas tenta replicar as filosofias de design dos jogos de plataforma usando mais recursos.

Esse exagero no tamanho dos mapas e na quantidade de colecionáveis não é o único problema: as localizações dos objetos de interesse não são lá muito intuitivas. Algumas áreas interessantes, como torres ou florestas, não possuem quase nada em termos de conteúdo explorável, e se resumem a um NPC te desafiando para alguma coisa em troca de outra página. Ainda assim, Yooka-Laylee mostra que foi feito com paixão. Mesmo com problemas no design dos mapas, na interface, na câmera, na dificuldade e na falsa longevidade, é um jogo com alma, e apesar das minhas frustrações, foram poucos os momentos nos quais eu não sorri depois de uma piada do Laylee.

Yooka-Laylee é uma carta de amor de alguém que você não vê há décadas. Essa pessoa está ainda mais linda depois de várias plásticas, mas agora tem uma coleção de Crocs e manda gifs de “bom dia” no WhatsApp. Para quem ainda se interessa pela fórmula e quer apenas se jogar em um mundo novo e colorido, como fazia quando criança, Yooka-Laylee é uma opção sem muita concorrência, atualmente. Agora, se você deixou o passado para trás e prefere aproveitar as melhorias de qualidade de vida introduzidas nos últimos anos, o game pode frustrar.

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