Que a saúde pública no Rio de Janeiro é um problema, todos sabem, mas atender pacientes no chão, já virou condição sub humana. O hospital Municipal Salgado Filho, localizado no bairro do Méier, atende pacientes até na bancada de armários. Além de não terem leitos disponíveis, nos hospitais públicos, nem mesmo os particulares estão dando vazão, a quantidade de doentes aumenta a cada dia, o número de médicos diminui por conta dos salários e, consequentemente, os leitos diminuem. Vivemos em uma ordem inversamente proporcional há muito tempo, mais doentes, menos hospitais.

De acordo com um profissional de saúde, a sala de emergência tem capacidade para atender de 10 a 12 pacientes, no entanto acomoda de 25 a 30 doentes. Segundo os médicos, a emergência ficou ainda mais sobrecarregada após a desativação de 12 leitos de clínica médica pela falta de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.

Segundo o presidente do hospital, Sidnei Ferreira, a situação é agravada com a falta de recursos humanos. Para os médicos a emergência deveria ser referenciada  – fechar as portas da entrada – até que o déficit de pessoal seja suprido. Ele disse ainda que esse problema tem sido frequente da unidade.

Os atendimentos na bancada ou no chão não são pontuais. Eles já se tornaram rotina. A sensação é a pior possível. Os pacientes atendidos dessa maneira não tem a menor dignidade, revelou o profissional de saúde. O presidente do Cremerj ressaltou que a situação já foi levada,várias vezes, à Secretaria Municipal de Saúde, porém, nada foi feito. O órgão também denunciou os problemas para o Ministério Público Estadual e para a delegacia do consumidor. O MP informou que já instaurou uma ação civil pública e um inquérito civil para investigar as deficiências de atendimento no Salgado Filho.

De acordo com o planejamento da Secretaria, o hospital será o próximo a receber melhorias já implantadas nas outras unidades da rede.

Seguindo essa mesma linha de problemas na rede pública de saúde, há uma média de dois anos, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão, estava sendo esvaziado por conta de enormes rachaduras nas paredes e grandes infiltrações, fora a falta de infraestrutura e utensílios básicos para trabalhar. Sem contar que os hospitais particulares também se encontram com superlotação, a impressão que temos é que está pior ou igual aos públicos.

Parece que estão nos fazendo um favor em melhorarem as condições para a população. A que ponto estamos chegando, o processo vai rolando de um lado para o outro, uma hora está nas mãos do Sindicato, outra hora no Ministério Público, depois com o CREMERJ, e ninguém resolve absolutamente nada. Trabalhamos e pagamos nossos impostos, portanto, queremos um retorno digno e não num chão de um hospital. Basta a falta de médicos que já é grande e tantos diagnósticos errados que recebemos.Quantas pessoas mais precisarão passar por isso para o problema enfim ser resolvido?

Fala-se muito em procurar soluções para o problema, mas de fato não vejo colocarem em prática. Sinceramente a jogatina dos jogos do poder ainda vai continuar por muito tempo até tocarem nas feridas políticas e não do povo, que sofre com os serviços oferecidos. Enquanto os donos dos estabelecimentos públicos continuarem utilizando os locais privados, nada vai mudar, e toda essa questão será equalizada e findada em mais desgraças humanas.

 Texto escrito por: Natalia Machado

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