Quando ela passa na rua, muita gente quer tirar fotos e ouvir as histórias dos sete homens que deixaram suas famílias em Maldonado, no Uruguai, para realizar o sonho de assistir aos jogos da seleção uruguaia na Copa do Mundo. “Saímos no dia 1º de junho de Punta del Este e conseguimos chegar a Fortaleza após rodarmos mais de 5.500 quilômetros”, conta Richard Caravaggio, um dos membros mais animado da equipe que percorreu a distância em uma van.

Tudo começou no jantar de ano novo. Reunidos, eles começaram a brincar com a ideia de vir ao Brasil de carro. A história foi ficando séria e eles começaram a transformar a van da família em um veículo com bandeiras brasileiras e uruguaias, muitas cores e vários detalhes da Copa. “Queríamos vir no espírito uruguaio, com nossa cultura de acampar, passando às vezes até por uma rotina de sofrimento”, continua.

O grupo passou por várias aventuras no Brasil. A parada no Chuí, já no Rio Grande do Sul, foi fundamental para eles abastecerem o veículo com comidas e bebidas brasileiras. “Até o mate nós compramos aqui”, diz Richard. Depois, tiveram de desviar do trânsito nas proximidades de Porto Alegre e passaram por uma situação inusitada em Belo Horizonte. “Acharam que a gente era argentino. Isso não dá”, afirma.

Quem olha a van por dentro, percebe uma grande bagunça. Richard diz que se incomoda com as coisas jogadas nos cantos e garante que tudo dele está no lugar. O carro foi improvisado para comportar cinco pessoas dormindo. Na frente, o motorista e o copiloto garantem de 500 km a 700 km de estrada por dia. Todos se revezam no volante, mas eles sempre param à noite para dormir.

Eles também trouxeram seus batuques e Richard é o cozinheiro da turma. “No Uruguai, sou chefe de cozinha. Também vendo chapéus e outras coisas”, explica. Ele revela que o grupo tinha um certo receio por ouvir falar das manifestações do País, mas até agora não tiveram qualquer problema. Seu amigo Fernando Aurifre, por outro lado, lamenta um pouco a falta de clima de Copa no Brasil. “Queria ver mais alegria. Esse ambiente não está contagiando a gente”, afirma.

Eles têm ingressos para ver a partida de sábado entre Uruguai e Costa Rica, no Castelão, em Fortaleza. Sabem que não conseguirão ir até o segundo jogo do Uruguai, em São Paulo, contra a Inglaterra, pois seria uma quilometragem muito grande para pouco tempo. Mas garantem presença na Arena das Dunas, em Natal, para ver o confronto decisivo diante da Itália. “Estamos muito confiantes”, conclui Richard.

Comentários

comentários

Deixe uma resposta